Todas as pessoas têm um gene que actua como uma instrução para produzir uma proteína chamada Huntingtina. Numa pessoa com Doença de Huntington, este gene sofre uma alteração, passando de uma versão normal para uma versão defeituosa. Chamamos-lhe gene da Huntingtina mutada. O gene defeituoso causa a produção de uma Huntingtina prejudicial.
Com o tempo, a Huntingtina defeituosa faz com que os neurónios funcionem mal e, por fim, morram. Embora tenhamos Huntingtina em todas as células do nosso corpo, o gene defeituoso causa o maior dano em regiões específicas do cérebro (denominadas gânglios da base e córtex). Estas regiões são vitais para a gestão das capacidades emocionais, comportamentais, cognitivas (pensamento e planeamento) e motoras (movimento). Atualmente, não existe cura nem forma de travar a doença, mas os tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas.
Estão em curso muitas investigações e estudos com o objetivo de reduzir os níveis de Huntingtina mutada ou ajudar as células cerebrais a compensar o seu efeito e a funcionar melhor.
A mutação da DH leva ao desdobramento incorreto da proteína Huntingtina e à sua acumulação no interior dos neurónios. A acumulação aumenta ao longo dos anos e causa mais disfunções. Reduz a capacidade das células para produzirem energia, que é vital para o seu funcionamento, e também reduz a capacidade das células de comunicarem entre si. Ainda não sabemos como todas as diferentes funções dentro da célula são influenciadas pela proteína mHTT (proteína Huntingtina mutada e prejudicial), mas, em última análise, os neurónios morrem devido à intoxicação. É importante compreender que as alterações que se observam numa pessoa com Doença de Huntington são causadas por alterações e danos cerebrais. As regiões do cérebro particularmente vulneráveis à mHTT estão envolvidas no controlo do movimento, na tomada de decisões, na regulação emocional e na memória. Este dano gradual explica por que razão os sintomas se agravam ao longo de muitos anos.
O número de repetições C-A-G no gene da Huntingtina varia de pessoa para pessoa. No que diz respeito à Doença de Huntington, o número de repetições C-A-G é dividido em categorias:
A Doença de Huntington é uma doença dominante. Isto significa que, se herdar o gene mutado do progenitor com a doença, este irá dominar o gene normal que herda do outro progenitor. O número de repetições pode alterar-se na transmissão do progenitor para o descendente. Os irmãos podem ter números diferentes de repetições CAG. E o número pode variar quando transmitido à geração seguinte, influenciando assim a idade de início. Se o gene mutado vier do pai, há uma probabilidade muito maior de o filho herdar um número aumentado de repetições CAG. Os filhos não desenvolvem necessariamente a doença seguindo o mesmo padrão dos pais. O mesmo se aplica entre irmãos. Conhecer o risco genético pode suscitar questões difíceis sobre planeamento familiar e apoio emocional. Deve ser oferecido aconselhamento genético.
A idade em que os sintomas da DH se manifestam é influenciada principalmente pelo número de repetições CAG, mas este não é o único fator. Fatores como modificadores genéticos adicionais, escolhas de estilo de vida, fatores ambientais e condição geral de saúde também têm influência
A variabilidade é comum. Uma pessoa pode apresentar principalmente alterações emocionais (como depressão ou ansiedade), enquanto outra pode ter sobretudo sintomas motores. Algumas pessoas sofrem um declínio rápido, enquanto outras vivem muitos anos com sintomas estáveis. Esta diversidade torna essencial os cuidados personalizados; o apoio deve ser adaptado a cada indivíduo.
Os sintomas da DH podem ser agrupados em três categorias principais:
Quase sempre, a dado momento, os indivíduos com Doença de Huntington começam também a perder peso progressivamente. Isto deve-se a um aumento do gasto energético e, em certa medida, às dificuldades de deglutição.
A DH evolui tipicamente ao longo de três fases:
A progressão da doença pode variar de pessoa para pessoa, mas geralmente ocorre ao longo de 15 a 20 anos. O apoio aos cuidadores é muito importante à medida que a doença progride.
Embora não exista um tratamento eficaz para a doença, há muitas ferramentas e estratégias que ajudam as pessoas a viver vidas significativas. O tratamento deve ser personalizado e pode incluir:
Manter-se socialmente ativo, participar em investigação clínica e construir uma rede de apoio podem ajudar a manter a dignidade e a qualidade de vida. O acesso a apoio profissional e a grupos de pares pode fazer uma grande diferença tanto para os doentes como para as famílias.
Esta explicação é muito detalhada? Pode sempre voltar à nossa visão geral simplificada.
Pronto para continuar? O nosso próximo capítulo aborda testes genéticos na Doença de Huntington